O que fazer quando o dependente químico não quer ajuda?
12 de fevereiro de 2019
Léo Dias e a recaída no mundo das drogas
27 de fevereiro de 2019

Por que algumas pessoas tornam-se dependentes químicos e outras não?

O mecanismo de a droga realiza no nosso cérebro é bastante complexo e, por isso, ainda há uma certa incógnita quanto ao que torna uma pessoa dependente química ou não. A verdade é que existem uma série de fatores que estão relacionados, tornando algumas poucas pessoas com uma maior predisposição a se tornarem dependentes químicos.

Entre esses fatores estão genética, ambiente familiar, ambiente de trabalho, amigos e alguns gatilhos, ou seja, situações que podem ativar uma parte do cérebro relacionada à dependência como morte de um familiar, desemprego, entre outros.

Vamos agora entender um pouco melhor sobre o assunto e entender por que algumas pessoas que usam drogas tornam-se dependentes químicos e outras não.

Condições financeiras

Infelizmente, as pessoas menos favorecidas, às vezes, encontram o caminho do tráfico como única alternativa e acabam por se viciar. Elas também vivem em locais mais periféricos, onde o tráfico toma conta e a segurança não chega com tanto empenho. Sendo assim, encontrar droga para comprar nesses locais é muito mais fácil.

Além disso, também são pessoas que, na maioria das vezes, não possuem uma estrutura familiar adequada e os problemas mais diversos como preconceito, abuso sexual, violência e outros não tardam a chegar.

Discriminação e preconceito

Esses fatores estão diretamente relacionados com o ambiente no qual as pessoas vivem. São muitos os jovens, adolescentes e crianças que sofrem preconceitos pelos mais diversos motivos: gênero, cor, escolha religiosa, condição econômica e muitos outros. Além disso, as políticas públicas não oferecem o suporte necessário para que essas pessoas possam ascender na sociedade e sair de uma condição “inferior”.

Muitos adolescente começam a trabalhar para manter a casa desde muito cedo e assim, não conseguem, por exemplo, estudar e estagiar para se preparar para o mercado de trabalho. Isso perpetua a condição, fazendo com que esse indivíduo continue sofrendo discriminação e preconceito, incentivando um ciclo perpétuo de sofrimento, fazendo que as pessoas se iniciem nas drogas e muitos acabam se tornando dependentes.

Genética

Sim, em alguns casos, o fator genético está diretamente relacionado, mas isso não significa que esse fator seja o único responsável ou preponderante. A questão cerebral está diretamente envolvida no desenvolvimento da dependência química é como se existisse um tipo de falha cerebral apenas nos dependentes, um defeito pré-existente.

Alguns estudos realizados por pesquisadores franceses conseguiram constatar que os dependentes químicos apresentam uma perda de neuroplasticidade ou uma redução dessa capacidade. Estamos falando de um tipo específico de plasticidade, também conhecida como Depressão de Longo Prazo (LTD na sigla em inglês). A LTD tem um papel essencial, por exemplo, na formação das memórias, especialmente das mais recentes.

Mas, o que é neuroplasticidade? É uma condição de extrema importância para qualquer cérebro, é a capacidade que ele tem de se readaptar a uma determinada situação. Por exemplo, uma pessoa que é sedentária e passa a praticar exercícios modifica o seu cérebro para que o corpo consiga se adaptar a esse novo estilo de vida. Ocorre a neuroplasticidade que é uma reorganização dos neurônios para aquele novo hábito ou tarefa.

Após um certo tempo utilizando cocaína a LTD não muda, o dependente perda a capacidade para esse tipo de plasticidade cerebral. Com a perda dessa capacidade, é como se o cérebro se “esquecesse” dos efeitos nocivos que a substância em questão traz e também faz com que o efeito benéfico (a grande liberação de dopamina) vá embora rapidamente. Assim, o cérebro envia a mensagem de que precisa de mais cocaína e isso, por sua vez, gera um consumo compulsivo.

Os usuários que possuem o controle sobre o uso conseguem se adaptar biologicamente  e assim, conseguem neutralizar os efeitos da droga e recuperam o LTD normalmente. Fica assim, um pouco mais fácil entender por que os dependentes vão perdendo, cada vez mais, a capacidade de se controlar quanto ao uso da substância.

Estrutura familiar

Quando se fala em estrutura familiar já podemos imaginar como uma base familiar ruim pode destruir a vida de um adulto no futuro. Ser abusado pelos familiares, utilizado pelos que deveriam amá-lo e protegê-lo como ganha pão, incentivando-o a pedir dinheiro nas ruas, a não estudar para trabalhar ou a se prostituir são fatores que interferem diretamente no desenvolvimento da criança e as chances de ela se tornar um dependente químico no futuro são grandes.

Por exemplo, até os 3 anos, o cérebro de um ser humano sofre uma grande quantidade de sinapses e é quando a plasticidade cerebral está no auge. A base para a formação está justamente nesse período da vida. É quando a criança aprende uma série de coisas essenciais que serão importante para o aprendizado de outros conhecimentos necessários para uma vida de qualidade. Se não há uma base familiar durante esse período, essa criança, provavelmente, se tornará um adulto problemático.

E não estamos falando de suporte financeiro ou uma grande casa em um bairro nobre da cidade. O principal ingrediente para que, durante essa fase a criança se desenvolva bem é o amor, o cuidado e o carinho dos responsáveis por ela. Quando não há isso no núcleo familiar, as consequências podem ser graves.

Amigos

Esse fator influencia consideravelmente, especialmente os adolescentes. Nessa idade, muitos desejam fazer parte de um grupo e serem aceitos pelas pessoas. Para isso, em muitas situações, acabam se rendendo aos apelos dos colegas e fazendo o que eles também fazem ainda que saibam e entendam, até certo ponto, as consequências daquele ato.

Normalmente, os adolescentes começam com bebidas alcoólicas e maconha. Alguns para mostrar a masculinidade, para se sentirem mais desinibidos nas festas ou mesmo para provarem que já são adultos. O grande problema é que, para alguém que possui uma predisposição genética, essas drogas, consideradas mais leves, pode ser a porta de entrada para outras mais pesadas como a cocaína e o crack levando a uma dependência química.

É importante salientar que não existe um fator mais preponderante que o outro e por mais que exista uma predisposição cerebral para os dependentes químicos, os hábitos e as nossas atitudes podem ser controlados. No caso dos dependentes é importante procurar ajuda profissional já que, para eles, esse controle é mais difícil e precisam de apoio e suporte multidisciplinar.

Compartilhe este post nas redes sociais e ajude outras pessoas a entender um pouco mais sobre a dependência química e assim buscar a ajuda necessária!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

WhatsApp chat