Luciano Modesto

A maternidade é um momento único na vida das mulheres, porém, muitas delas não estão preparadas fisicamente e psicologicamente para isso. É o caso, por exemplo, de mulheres que fazem uso de drogas na gestação. Elas não só estão prejudicando a própria saúde como também a do bebê.

E o problema não é apenas durante a gestação. O uso de drogas, tanto lícitas quanto ilícitas, pode causar uma série de doenças na criança que permaneceram por toda a vida, como uma sequela da maternidade.

Vamos agora falar em como o uso de drogas na gestação pode afetar tanto a mãe quanto o bebê e dos riscos associados.

Alterações na mãe pelo uso de drogas na gestação

Placenta com hipoperfusão

A hipoperfusão é caracterizada pela baixa irrigação sanguínea em determinada parte do corpo. Nesse caso, a hiperperfusão atinge diretamente a placenta, dificultando o seu crescimento e, consequentemente o feto.

É justamente por meio o sangue que diversos nutrientes e oxigênio conseguem alcançar a placenta para que ela possa alimentar o feto. Com uma baixa perfusão, causada pelo uso de drogas, há chances de a criança nascer com sérios problemas de desenvolvimento neurológico e motor.

Descolamento prematuro de placenta (DPP)

É também conhecida como placenta abrupta, o DPP é uma situação considerada grave na gestação, porém, costuma ser incomum nessa fase. A mãe pode ter o problema caso esteja fazendo uso de drogas durante esse período.

As consequências para o feto são muitas. A placenta se forma com uma única função: nutrir o bebê enquanto ele está na barriga da mãe. O descolamento é caracterizado por um afastamento entre a placenta e o útero que ocorre mais cedo do que o ideal. Na verdade, a placenta deve ficar ligada ao útero até depois do nascimento, quanto os profissionais de saúde fazem a remoção.

As consequências desse problema para o bebê são privação de oxigênio e, consequentemente de nutrientes, feto natimorto ou parto prematuro. Mas há também prejuízos para a mãe. Ela pode desenvolver falha nos rins ou em outros órgãos, choque, problemas de coagulação sanguínea e uma necessidade de transfusão por causa de uma possível hemorragia.

Rotura prematura de membranas ovulares

Esse é um dos problemas mais comuns em gestantes que fazem uso de drogas na gestação. A rotura prematura de membranas predispõe a mulher ao parto prematuro e também traz outras consequências negativas.

O risco de infecção tanto na mulher quanto no bebê aumenta consideravelmente. Também pode haver apresentação fetal anormal e também o descolamento prematuro da placenta. O risco de o bebê desenvolver anormalidades também aumenta caso essa rotura ocorra antes das 24 semanas de gestação.

Alteração no feto

Assim como a mãe, o feto também pode apresentar diversos problemas de saúde quando a gestante faz uso de drogas de maneira abusiva. Vejamos abaixo quais são eles.

Má formação fetal

A má formação, como o próprio nome já diz, é quando o bebê não se forma da maneira correta dentro do corpo da mãe. Entre as consequências está o aborto espontâneo. O corpo entende que algo está errado e expulsa o feto o mais rápido possível.

Baixo peso ao nascer

O peso ideal de um bebê ao nascer varia entre 2.500 a 4.200 gramas. Abaixo de 2.500 gramas já pode ser considerado de baixo peso e ainda podem ter valores menores. O bebê pode nascer com um peso extremamente baixo, ou seja, com menos de 1.000 gramas. Quanto menor o peso, maiores as chances de ele não sobreviver ou de ter o seu desenvolvimento motor e neurológico comprometido.

Prematuridade

Normalmente, a mulher leva cerca de 40 semanas, aproximadamente 9 meses, para dar a luz. Porém, o uso de drogas pode antecipar o parto, ocorrendo antes da 37ª semana.

A partir do 4° mês, o feto já está completamente formado e agora, ele só precisa crescer o suficiente para sobreviver fora do corpo da mãe. Com o nascimento prematuro, o feto não está completamente preparado e algumas das complicações são: dificuldade para respirar, problemas para regular a temperatura ideal e ganho de peso lento.

Síndrome alcoólica fetal

Mulheres que possuem uma dependência química ao uso de álcool podem ter filhos com Síndrome Alcoólica Fetal. Há diversas consequências para a criança como má formação da face, atraso do desenvolvimento neuropsicomotor e também de crescimento. Além disso, ela pode apresentar diversos problemas de comportamento, baixo QI e alterações tanto na visão quanto na audição.

Como lidar com o problema

Diante de tantas complicações, fica evidente que é mais do que necessário lidar com o consumo de drogas durante a gestação. No Brasil, em média, são registradas 1600 mortes maternas e 50 mil de bebê até 1 ano de idade a cada ano. A principal causa é o uso de drogas na gestação.

O primeiro passo é se conscientizar do problema e entender que você precisa de ajuda, pois parar de usar as substâncias não é algo fácil. Além disso, existem algumas drogas como metanfetaminas, opioides e heroína não podem ser interrompidos de uma hora para outra ou podem causar sérias complicações de saúde.

No momento do pré-natal, informe aos profissionais de saúde da sua condição de usuária e essa informação precisa ser passada ainda que você faça uso de uma quantidade menor. É normal sentir vergonha de falar sobre isso, especialmente com estranhos, mas você precisa entender que são profissionais e estão resguardados pelo sigilo com o paciente.

A família é o principal alicerce nesse momento, é muito importante que todos ofereçam apoio e suporte. Durante a gestação, além dos problemas já existentes, a mulher sofre com uma confusão hormonal dentro dela que altera as emoções. Sendo assim, é muito importante ter ajuda nesse momento.

Caso a gestante não interrompa o uso de drogas, a família pode tentar o internamento compulsório, entrando com um pedido na justiça, uma medida cautelar. A decisão do juiz costuma sair em até 48 horas visto que é uma situação que pede urgência.

É sempre bom investigar quais são as clínicas que existem na região e o que elas oferecem como tratamento para esses casos específicos. O uso de drogas na gestação é algo sério e que põe em risco a vida de uma outra pessoa e interfere diretamente na família.

Você conhece ou tem alguma gestante usuária na família? Conte pra gente como conseguiu resolver esse problema e ajude outras pessoas!

 

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